Como os Anabolizantes Surgiram? E Como Se Tornaram Tão Populares Nos Dias Atuais?
Descubra como os anabolizantes surgiram na medicina, chegaram ao esporte e se tornaram um fenômeno mundial. Conheça sua história, os motivos de sua popularidade e os riscos associados ao uso através de exemplos reais que marcaram o universo fitness.
SAÚDECURIOSIDADESACADEMIA
João Roberto
5/29/20265 min read
Como os Anabolizantes Surgiram? E Como Se Tornaram Tão Populares Nos Dias Atuais?
Se você frequenta academias, acompanha influenciadores fitness ou simplesmente passa algum tempo nas redes sociais, provavelmente já ouviu falar sobre anabolizantes.
Para alguns, eles representam o caminho mais rápido para conquistar um físico impressionante.
Para outros, são uma aposta arriscada que pode trazer consequências sérias para a saúde.
Mas uma pergunta curiosa costuma passar despercebida:
De onde surgiram os anabolizantes?
A verdade é que eles não foram criados para fisiculturistas, influencers fitness ou atletas em busca de músculos gigantes.
Sua origem está muito mais ligada à medicina, à ciência e até mesmo a conflitos militares do que muita gente imagina.
O que são anabolizantes?
Os anabolizantes, também chamados de esteroides anabolizantes androgênicos, são substâncias derivadas da testosterona, o principal hormônio sexual masculino.
A testosterona desempenha diversas funções importantes no organismo:
Desenvolvimento muscular;
Crescimento ósseo;
Produção de glóbulos vermelhos;
Desenvolvimento de características masculinas.
Os cientistas perceberam que seria possível criar versões sintéticas desse hormônio para tratar diversas condições médicas.
E foi exatamente assim que tudo começou.
A origem dos anabolizantes
Os primeiros estudos envolvendo testosterona ganharam força durante as décadas de 1920 e 1930.
Pesquisadores buscavam formas de isolar e reproduzir artificialmente os efeitos do hormônio.
Na década de 1930, cientistas conseguiram sintetizar a testosterona em laboratório pela primeira vez.
Inicialmente, o objetivo era puramente médico.
Os compostos eram utilizados para tratar problemas hormonais, perda severa de massa muscular, recuperação de pacientes debilitados e algumas doenças específicas.
Ou seja, os anabolizantes nasceram como ferramentas terapêuticas.
Ninguém estava pensando em criar fisiculturistas gigantescos naquela época.
Como eles chegaram ao esporte?
A mudança começou após a Segunda Guerra Mundial.
Atletas e treinadores perceberam que algumas dessas substâncias podiam acelerar o ganho de massa muscular e melhorar a recuperação física.
Durante a Guerra Fria, surgiram diversas acusações envolvendo programas esportivos patrocinados por governos que buscavam vantagem competitiva em competições internacionais.
Logo os esteroides passaram a fazer parte dos bastidores de diversos esportes profissionais.
Levantamento de peso.
Atletismo.
Fisiculturismo.
Lutas.
E eventualmente praticamente qualquer modalidade em que força e explosão física fossem diferenciais importantes.
A explosão da popularidade
Se antes os anabolizantes eram conhecidos apenas dentro de círculos esportivos específicos, a internet mudou completamente o cenário.
Nas décadas de 2000 e 2010, as redes sociais transformaram físicos extremamente musculosos em verdadeiras vitrines ambulantes.
Instagram.
TikTok.
YouTube.
Todos passaram a exibir corpos que pareciam saídos de histórias em quadrinhos.
O problema é que muitos jovens passaram a acreditar que aqueles resultados eram facilmente alcançáveis.
A pressão estética aumentou.
A comparação constante também.
E o uso de anabolizantes se tornou cada vez mais comum entre pessoas que nem sequer competiam profissionalmente.
Hoje, muitos usuários sequer têm o objetivo de subir em um palco de fisiculturismo.
Eles apenas desejam acelerar resultados estéticos.
O lado que quase ninguém mostra
É fácil admirar um físico impressionante em uma foto.
O difícil é enxergar tudo o que existe por trás daquela imagem.
O uso inadequado de anabolizantes pode estar associado a diversos problemas de saúde, incluindo:
Alterações cardiovasculares;
Pressão arterial elevada;
Problemas hepáticos;
Alterações hormonais;
Queda de cabelo;
Acne severa;
Alterações psicológicas;
Dependência psicológica da aparência física.
É importante destacar que os riscos variam conforme doses, tempo de uso, predisposição genética e acompanhamento médico.
Mas afirmar que essas substâncias são totalmente inofensivas seria ignorar décadas de evidências científicas.
O caso de Zyzz: quando a fama encontra a tragédia
Poucos nomes são tão conhecidos no universo fitness da internet quanto Aziz Shavershian, mais conhecido como Zyzz.
Ele se tornou um fenômeno online graças ao seu carisma, físico impressionante e mensagens motivacionais voltadas para autoestima e transformação pessoal.
Em 2011, porém, Zyzz faleceu aos 22 anos durante uma viagem à Tailândia.
A causa oficial foi uma condição cardíaca pré-existente.
Até hoje existem inúmeras discussões online sobre o papel que fatores relacionados ao estilo de vida, treinamento intenso e possível uso de substâncias podem ter desempenhado em sua saúde.
O ponto importante não é transformar sua história em um julgamento.
Mas lembrar que aparência física nem sempre reflete o estado real do organismo.
O caso extremo de Dallas McCarver
Outro exemplo frequentemente citado pela comunidade fitness é o de Dallas McCarver.
Com mais de 130 kg em competição, Dallas era considerado uma das grandes promessas do fisiculturismo profissional.
Seu tamanho impressionava até mesmo entre atletas de elite.
Em 2017, sua morte chocou o mundo do bodybuilding.
Embora a causa oficial tenha sido relacionada a um episódio de engasgo, exames posteriores mostraram diversas complicações de saúde severas, incluindo um coração significativamente aumentado.
Novamente, não é possível atribuir um único fator como responsável por eventos tão complexos.
Mas casos como esse alimentam debates importantes sobre os limites extremos que alguns atletas levam seus corpos para alcançar resultados extraordinários.
Vale a pena correr o risco?
Essa é uma pergunta que cada pessoa precisa responder por conta própria.
O problema é que muitas vezes a decisão é tomada com base apenas nos benefícios visíveis.
Ganhos musculares.
Força.
Estética.
Popularidade nas redes sociais.
Enquanto os riscos permanecem escondidos nos bastidores.
O que raramente aparece nos vídeos motivacionais são os exames constantes, os efeitos colaterais, os gastos financeiros e os potenciais impactos de longo prazo.
O futuro da busca pelo corpo perfeito
Vivemos em uma era onde a aparência nunca foi tão valorizada.
Filtros.
Redes sociais.
Comparações constantes.
Tudo isso cria uma pressão enorme para alcançar padrões físicos cada vez mais difíceis.
Mas talvez a pergunta mais importante não seja "como ficar maior?"
Talvez seja:
"Até onde vale a pena ir para alcançar esse objetivo?"
A ciência continuará evoluindo.
Novos tratamentos surgirão.
Novas substâncias serão desenvolvidas.
Mas uma verdade permanece a mesma:
Nenhum físico impressionante vale mais do que a própria saúde.
Conclusão
Os anabolizantes nasceram dentro da medicina, migraram para o esporte e acabaram se tornando parte da cultura fitness moderna.
Seu impacto na história do treinamento físico é inegável.
Mas sua popularidade também trouxe debates importantes sobre saúde, estética e limites humanos.
Casos como Zyzz e Dallas McCarver mostram que resultados extraordinários frequentemente vêm acompanhados de riscos que nem sempre aparecem nas fotos das redes sociais.
Antes de admirar apenas o resultado final, vale a pena olhar para toda a jornada.
Porque músculos impressionam.
Mas saúde é o que permite continuar aproveitando a vida muito depois que os holofotes se apagam.
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